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Medir e calcular o OEE é mais difícil do que parece

Atualizado: 3 de jul. de 2023


Existe uma grande diferença entre conhecer teoricamente como medir a Eficiência Global dos Equipamentos (OEE, na sigla em inglês) e realmente medir na prática. Esta postagem fornecerá dicas cruciais sobre como medir o OEE em um ambiente real de produção.

Como é frequentemente o caso no chão de fábrica, dados confiáveis e de boa qualidade são raros. Isso é especialmente verdadeiro no cálculo do OEE, uma vez que obter os dados necessários é difícil. Por isso, sugerimos que você entenda os cálculos e a coleta de dados por trás dele antes de confiar em um número. A maioria dos números de OEE calculados, na minha opinião, possui uma qualidade tão baixa que não vale o esforço. Obter os dados para um OEE não é tão fácil assim.


Na postagem anterior, analisamos a definição de OEE, incluindo as perdas de disponibilidade, velocidade e qualidade. Nesta postagem, investigaremos como medir o OEE. Postagens futuras detalharão as três principais formas como o OEE é frequentemente manipulado, e para que serve e para que não serve o OEE.

Base de Tempo para o OEE


A primeira pergunta que você precisa responder é a base temporal para o cálculo do seu OEE. Você deseja considerar apenas os turnos planejados ou quer considerar 24 horas por dia, sete dias por semana?

Na maioria dos casos na indústria, a base é o modelo de turno. Se a operação estiver programada para trabalhar dois turnos, cinco dias por semana, então a base de tempo são esses dois turnos por cinco dias. No entanto, se o sistema estiver com capacidade reduzida e incapaz de atender à demanda do cliente, pode ser adequado começar com uma base de tempo de 24 horas por dia, sete dias por semana. No entanto, esteja preparado para enfrentar oposição das pessoas envolvidas. Uma base de tempo de 24 horas por dia fará com que o OEE diminua, então no papel parece pior, mesmo que o sistema não tenha mudado, apenas o cálculo. Como as pessoas podem ser avaliadas pelo OEE, elas podem ter interesse em ter um bom número de OEE (e talvez até você também).

Em qualquer caso, independentemente da sua base de tempo, você precisa descobrir o que poderia ter sido produzido nesse tempo.


Base de Velocidade para o OEE


O segundo número importante que você precisa é a velocidade da máquina. O que a máquina poderia produzir se tudo ao redor dela fosse perfeito? A abordagem simplificada é utilizar qualquer número que você possa ter registrado. No entanto, em minha experiência, esses números geralmente estão incorretos ou desatualizados. Eles podem ser simplesmente a média de um bom dia de produção. No entanto, mesmo um bom dia de produção tem perdas, e tirar a média ignoraria essas perdas.

Para obter uma boa estimativa da velocidade máxima de um processo, é necessário medir repetidamente o tempo entre a conclusão das peças. Você descobrirá que esse tempo segue uma distribuição estatística (não se preocupe, não entraremos em detalhes estatísticos aqui). A maioria dos tempos se agrupa em torno da média, alguns demoram mais, alguns demoram muito mais talvez devido a uma falha, e alguns foram mais rápidos ou muito mais rápidos do que a média. O objetivo é obter o tempo mais curto possível. No entanto, se você simplesmente pegar o menor valor em seu conjunto de medições, provavelmente terá um erro de medição. É melhor classificar as medições e considerar o tempo em que 95% ou 90% de todas as medições são mais lentas do que aquele tempo (estatisticamente falando, o percentil 5º ou 10º).


O OEE


Agora você tem a base de tempo e a base de velocidade. Dividir a base de tempo pela base de velocidade lhe dará o número teórico de peças que poderiam ter sido produzidas. Por exemplo, se você decidiu analisar dois turnos de 8 horas por dia, durante 5 dias, você teria um total de 80 horas ou 4800 minutos. Se o seu processo tiver uma velocidade máxima de uma peça a cada 2,5 minutos, então você divide 4800 minutos por 2,5 minutos por peça e obtém 1920 peças que poderiam ter sido produzidas nesse tempo.


Essas 1920 peças teoricamente possíveis são então comparadas com a produção real durante esse tempo. Esse número geralmente é fácil de obter, pois até as piores fábricas têm uma ideia aproximada do que foi produzido. Afinal, o salário do operador pode depender disso.

No exemplo acima, digamos que você tenha produzido não 1920, mas apenas 1132 peças, então seu OEE seria 1132/1920 ou 59%. É isso.


Agora, vamos complicar um pouco. Vamos supor que, durante o seu dia, você tenha um mix de produção com 2 produtos, cada um com velocidades diferentes. O produto A tem uma velocidade de 2,5 minutos por peça e o produto B de 3 minutos por peça. Nesse caso, como calcular a produção teórica de um mix de produção?


Uma alternativa é fazer o cálculo em horas, ao invés de peças. Por exemplo, imaginemos que em uma determinada semana uma fábrica produziu 500 unidades de peças do produto A e 600 unidades de peças do produto B. Isso corresponde à um total de horas gastas de 500 x 2,5min = 1250 min e 600 x 3min = 1800 minutos. Ou seja, 1250 + 1800 = 3050 minutos produzidos (na velocidade máxima). Se dividirmos isso pelos 4800 minutos realmente gastos do exemplo anterior, temos um OEE de 3050/4800 ou 63%.

Claro, você também pode estar interessado nas perdas que fizeram com que você não produzisse 788 peças ou os 1750 minutos durante essa semana. Agora fica um pouco mais desafiador obter dados confiáveis.


Monitoramento de Dados Digitais


O monitoramento de dados digitais pode ajudar. Se você tiver sorte, ou máquinas muito modernas, podem ter um sistema de monitoramento de dados digitais em sua máquina que faça um registro automático de quando e qual produto a máquina está fazendo. No entanto, em minha experiência, mesmo se houver um sistema de monitoramento de dados digitais, geralmente não há dados suficientes para calcular as perdas com confiabilidade. Por exemplo, problemas de qualidade só podem ser detectados posteriormente e não são registrados no sistema. O processo pode não saber se uma parada foi devido à ausência de um operador ou de uma máquina. É provável que, mesmo com um sistema de dados digitais, você ainda tenha lacunas e precise descobrir pelo menos alguns detalhes de outra maneira.


Observação Manual


Provavelmente, o padrão ouro nas medições de OEE é a observação manual por um longo período. Nessa observação, um trabalhador separado fica ao lado da máquina para registrar quando a máquina está fazendo o quê. Ele ou ela deve anotar qualquer irregularidade (por exemplo, quando a máquina para, o operador está ausente, falta material ou produtos são rejeitados). Esses provavelmente serão os dados mais confiáveis que você pode obter. No entanto, esse padrão ouro tem um preço de ouro, pois você precisa pagar por um operador para ficar ao lado da máquina o tempo todo para fazer o registro.


Se o único motivo para fazer o OEE é porque alguém mais alto quer um número, existem maneiras muito mais baratas de obter um número (algumas fábricas, por exemplo, são conhecidas por simplesmente adivinhar o número correto).


Registros do Operador


Provavelmente, a maneira mais comum na indústria de determinar os detalhes sobre as perdas do OEE são os registros do operador. O operador da máquina faz um registro de perturbações, que são então convertidos em registros digitais e analisados. Por motivos práticos, os operadores registram apenas as perturbações acima de um determinado tempo (ou seja, se houver uma parada superior a 5 ou 15 minutos). A vantagem é que esses dados podem ser obtidos com pouco esforço, apenas a análise dos dados requer algum tempo. Por outro lado, todas as paradas abaixo do limite de tempo são ignoradas e a qualidade da observação pode variar de operador para operador.


Resumo da ópera


Durante o cálculo do OEE, obter a capacidade disponível e as peças produzidas é provavelmente mais fácil. As perdas de qualidade também estão geralmente disponíveis ou podem ser determinadas com algum esforço. No entanto, as perdas de velocidade são mais difíceis de medir e exigem um esforço considerável para obter dados confiáveis.


Portanto, recomendamos começar pequeno e fazer um esforço apenas para obter dados confiáveis sobre as perdas de velocidade em um processo que está causando problemas. Obtenha dados digitais sempre que puder, sempre mesclando com entradas manuais para melhorar sua acurácia. Não fique surpreso se a quantidade de perdas de velocidade que você registrou excede o número total de horas disponíveis.

No próximo post, discutiremos por que o OEE é tão frequentemente manipulado, mesmo que pareça ser um número relativamente objetivo.

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